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Com incêndios e desmatamento, especialista faz alerta sobre aquecimento global

Carlos Nobre, renomado cientista que sempre manteve um discurso otimista sobre o futuro do planeta, agora se diz muito preocupado com o "rápido" aumento da temperatura, observado recentemente em meio a secas e incêndios que impactam especialmente a América do Sul.

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A mudança de posição, afirma, deve-se ao fato de no início de 2024 o mundo ter ultrapassado o limiar de aquecimento de 1,5 grau em relação à era pré-industrial, segundo dados da agência climática da UE, Copernicus. Os especialistas antes previam que esta temperatura, por si só "muito grave", seria registrada pela primeira vez em 2028, afirma o climatologista.

A ciência já dizia que quando atingíssemos 1,5 grau, os fenômenos climáticos já aumentariam exponencialmente; não é um aumento linear, assim, devagarzinho. As ondas de calor, as chuvas intensas, as secas, os incêndios florestais, o derretimento do gelo, as tempestades nos oceanos, o nível do mar... Tudo isso aumentaria mais rápido, exatamente o que aconteceu em 2023. Em 2024, a gente já está vendo a frequência desses eventos extremos acontecendo mais rápido e batendo recordes.

Carlos Nobre

Um dos maiores estudiosos do clima na Amazônia. Nobre é copresidente do Painel Científico pela Amazônia (SPA) e ex-membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) - grupo de especialistas em clima da ONU.

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