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As figurinhas de macacos com expressões engraçadas, vestindo roupas e acessórios, como óculos e bijuterias, são uma febre entre os usuários do WhatsApp, especialmente no Brasil. Apesar das imagens aparentemente fofas e engraçadas, especialistas e órgãos de proteção animal alertam para o sofrimento e a exploração dos primatas nesse tipo de conteúdo.
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Um relatório da Coalizão de Crueldade Animal nas Mídias Sociais (SMACC), integrada pela ONG Proteção Animal Mundial, divulgado em setembro de 2023, aborda os abusos praticados por parte de criadores desse tipo de conteúdo. Os pesquisadores analisaram mais de 1,2 mil links com vídeos de primatas em quatro redes sociais. A pesquisa apontou que 60% dos links mostravam macacos de estimação sendo abusados fisicamente. Em 13%, os primatas eram intencionalmente obrigados a sentir medo e angústia em resposta a sustos, provocações e negação de comida.
Nesses vídeos, foram encontrados mais de 2,8 mil tipos de abusos, classificados em 37 categorias. Tem abuso sexual, oferecimento de droga, sustos, afogamentos e queimas. É uma lista bem chocante. Não são só os animais tomando mamadeira, comendo uma coisinha na casa de alguém. São coisas realmente muito perversas
Júlia Trevisan
Bióloga da Proteção Animal Mundial
A forma como esses animais são humanizados é um problema, conforme explicam os especialistas. O biólogo e primatólogo Julio César Bicca-Marques, explica que os macacos, nesses vídeos, apresentam alguns sinais de desconforto, mas que os humanos tendem a confundi-los com expressões humanas, como um sorriso, por exemplo.
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Esses animais, dependendo do tipo de cuidado e da expectativa de que se comportem como pequenos seres humanos, o que nunca serão, estão em permanente estresse. Aquele suposto sorriso, com dentes à mostra, por exemplo, é uma expressão facial indicativa de estresse. Primatas, assim como nós, são animais sociais, mas não são feitos para serem pets. Não são gatinhos ou cachorros com seleção artificial durante milhares de gerações. Portanto, gostar de macacos significa mantê-los, respeitá-los e apreciá-los em liberdade.
Julio César Bicca-Marques
Biólogo, primatólogo e professor do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
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